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Leve a magia da Amazônia para o seu espaço com a nossa nova experiência de Realidade Aumentada! 🐸🐍

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Fake news um conceito para além da mentira

Avaliação do Usuário

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O Ecossistema da Desinformação Digital: tecnologia, infraestrutura e economia do ódio.

Introdução

A expressão fake news tornou-se popular para designar notícias falsas disseminadas na Internet. Entretanto, o termo é insuficiente para explicar a complexidade do fenômeno contemporâneo da desinformação. O que se convencionou chamar de fake news constitui apenas uma das manifestações de um ecossistema muito mais amplo, composto por tecnologias, infraestrutura de comunicação, modelos econômicos, plataformas digitais, inteligência artificial e estratégias organizadas de influência.

A desinformação contemporânea não se caracteriza apenas pela produção de conteúdos falsos. Trata-se de um sistema capaz de produzir, distribuir, amplificar e monetizar informações em larga escala, explorando características estruturais da própria Internet e das plataformas digitais. Sua força não decorre exclusivamente da qualidade das mensagens, mas da integração entre diferentes camadas tecnológicas e econômicas que tornam sua circulação extremamente eficiente.

Sob essa perspectiva, compreender a desinformação exige abandonar uma visão centrada apenas nos conteúdos ou nos algoritmos e adotar uma abordagem sistêmica, capaz de analisar como tecnologia, infraestrutura e economia interagem para produzir um ambiente favorável à sua expansão.

1. O ecossistema tecnológico

A primeira camada desse ecossistema é formada pelas tecnologias responsáveis pela produção, edição e circulação das informações.

A popularização dos smartphones alterou profundamente o processo comunicacional. Esses dispositivos deixaram de ser simples telefones para se tornarem plataformas permanentes de produção e consumo de informação. Equipados com câmeras de alta resolução, sensores, geolocalização, conexão contínua e aplicações projetadas para maximizar a permanência do usuário, permitem que qualquer indivíduo produza e distribua conteúdo multimídia para audiências potencialmente globais em poucos segundos.

Paralelamente, o desenvolvimento da inteligência artificial ampliou significativamente a capacidade de produção de conteúdo sintético. Ferramentas capazes de gerar textos, imagens, áudios e vídeos reduziram drasticamente o custo e o tempo necessários para produzir grandes volumes de informação, tornando economicamente viável a criação contínua de campanhas de desinformação.

Esse ambiente tecnológico também incorpora automação por meio de bots, contas coordenadas, sistemas de agendamento, mineração de dados e mecanismos de personalização que permitem adaptar mensagens a públicos específicos. A desinformação deixa, assim, de ser um evento isolado para tornar-se um processo industrial de comunicação, baseado em produção contínua, segmentação de públicos e rápida adaptação narrativa.

2. A infraestrutura como amplificador emergente

A segunda camada do ecossistema é formada pela infraestrutura da própria Internet.

A arquitetura da Internet foi concebida para transportar informações com máxima eficiência, disponibilidade e o menor custo possível. Baseia-se em princípios clássicos da engenharia de redes, como o modelo end-to-end, o paradigma best effort e a neutralidade da rede. Roteadores, enlaces ópticos e protocolos de comunicação não interpretam o significado dos dados transportados; processam apenas endereços, rotas e protocolos.

Essa neutralidade não representa uma deficiência da infraestrutura. Pelo contrário, constitui um dos fundamentos que permitiram a construção de uma rede global escalável, interoperável e capaz de transportar qualquer tipo de aplicação sem discriminar seu conteúdo.

Entretanto, embora seja neutra quanto ao conteúdo, a infraestrutura responde continuamente à intensidade da demanda.

Quando determinado conteúdo passa a ser solicitado por milhares ou milhões de usuários, mecanismos automáticos de otimização entram em funcionamento. Redes de distribuição de conteúdo (CDNs) e sistemas de caching baseado em popularidade distribuem cópias desses conteúdos por servidores geograficamente dispersos. O objetivo não é julgar sua importância, mas reduzir custos de trânsito IP, diminuir congestionamentos, reduzir o número de saltos entre redes, minimizar latência percebida, jitter e perda de pacotes.

Da mesma forma, os Internet Exchange Points (IXPs) permitem que diferentes Sistemas Autônomos realizem troca direta de tráfego por meio de acordos de peering, reduzindo rotas desnecessárias, custos operacionais e dependência de enlaces internacionais. Os IXPs não armazenam nem replicam conteúdos, mas tornam sua circulação significativamente mais eficiente ao aproximar redes que antes dependeriam de caminhos muito mais longos.

Esses mecanismos não distinguem entre conteúdos verdadeiros e falsos. Respondem apenas ao comportamento estatístico do tráfego. Quanto maior a demanda observada, maior a eficiência da distribuição.

Como conteúdos desinformativos frequentemente exploram medo, indignação, conflito e sensacionalismo, tendem a produzir elevado volume de acessos e compartilhamentos. Como consequência, passam a acionar exatamente os mesmos mecanismos automáticos de otimização destinados a qualquer conteúdo altamente requisitado. A infraestrutura não amplifica a desinformação porque reconhece seu conteúdo, mas porque foi projetada para otimizar qualquer fluxo que apresente elevada demanda.

Essa amplificação constitui um efeito emergente da arquitetura da Internet, e não um objetivo de seu projeto.

Ao mesmo tempo, esse processo encontra seus próprios limites. A chamada "última milha" — formada pelas redes de acesso das operadoras, enlaces de fibra, cabo, rádio ou redes móveis — continua sendo um gargalo importante. Restrições de capacidade, contenção de banda, congestionamento do backhaul ou limitações da infraestrutura local podem reduzir parte dos ganhos produzidos pelas camadas centrais da Internet. Assim, enquanto a infraestrutura central tende a amplificar conteúdos altamente demandados, a rede de acesso pode funcionar como um fator de atenuação dessa propagação.

3. Os mercados do ódio: quando a violência torna-se um ativo econômico

A infraestrutura tecnológica e comunicacional descrita anteriormente não opera isoladamente. Ela sustenta uma economia digital estruturada em torno de um recurso específico: a atenção humana. Em um ambiente de informação abundante, atenção tornou-se o bem escasso por excelência. Plataformas digitais competem continuamente por frações do tempo disponível de cada usuário — fixo em vinte e quatro horas diárias, independentemente do volume de conteúdo produzido. Nessa disputa, conteúdos capazes de provocar emoções intensas obtêm vantagem estrutural, pois capturam atenção com maior eficiência do que conteúdos neutros ou informativos.

É nesse contexto que se desenvolvem os mercados do ódio.

Entende-se por mercados do ódio o conjunto de atividades econômicas, tecnologias, produtores de conteúdo, comunidades digitais e mecanismos de monetização estruturados em torno da produção sistemática de hostilidade contra indivíduos ou grupos sociais determinados. Nesses mercados, o preconceito, a discriminação e a violência simbólica deixam de ser apenas manifestações ideológicas e passam a constituir ativos capazes de gerar audiência, engajamento e receita. Racismo, misoginia, transfobia, xenofobia, intolerância religiosa e diferentes formas de extremismo constituem seus principais segmentos, cada um reunindo produtores de conteúdo, influenciadores, canais especializados, sistemas de financiamento e comunidades altamente engajadas.

O funcionamento desses mercados baseia-se na exploração contínua de emoções como indignação, medo, ressentimento e desejo de pertencimento — emoções que, além de produzirem elevados níveis de interação nas plataformas, tendem a confirmar crenças preexistentes dos usuários, reduzindo o custo cognitivo do consumo e gerando recompensa emocional imediata. Esse mecanismo cria uma demanda estruturalmente favorável ao conteúdo de ódio: não se trata apenas de oferta habilmente construída, mas de uma audiência predisposta a consumi-lo e a redistribuí-lo dentro de redes de afinidade ideológica.

A misoginia merece atenção particular por constituir um dos segmentos mais persistentes e economicamente relevantes desse ecossistema. Em numerosos ambientes digitais, a exposição pública, a humilhação e a violência dirigida contra mulheres — cis e trans — alimentam ciclos permanentes de produção de conteúdo. Casos de violência, assédio ou feminicídio são transformados em séries de vídeos, transmissões ao vivo, memes e reações que prolongam indefinidamente sua circulação. Nesse processo, o sofrimento humano converte-se em matéria-prima para a produção de audiência, integrando um circuito econômico no qual cada nova interação amplia o alcance do conteúdo e cria novas oportunidades de monetização.

Os benefícios econômicos distribuem-se por toda a cadeia. Produtores obtêm receitas por publicidade, assinaturas, doações e venda de produtos. Influenciadores ampliam sua audiência. Comunidades fortalecem sua capacidade de mobilização. As plataformas digitais registram aumento do tempo de permanência, do volume de interações e da atividade publicitária.

Esse último ponto merece atenção específica, pois revela uma segunda camada econômica frequentemente invisível. A publicidade programática — baseada em leilões automatizados em tempo real, o modelo conhecido como Real-Time Bidding — permite que anúncios de grandes empresas sejam exibidos ao lado de conteúdos extremistas sem que os anunciantes o saibam ou o desejem. Como os sistemas de leilão operam em frações de segundo e não dispõem de capacidade para avaliar o contexto semântico de cada página, o financiamento do ódio ocorre de forma estrutural, não intencional. Mas ocorre.

Além da receita publicitária, esses mercados geram um ativo ainda mais valioso e menos visível: dados comportamentais. Cada interação com conteúdo de ódio — curtida, compartilhamento, tempo de permanência, padrão de reação — produz informações detalhadas sobre preferências, vulnerabilidades e dinâmicas de influência de grupos específicos. Esses dados são coletados pelas plataformas, modelados por algoritmos e, em parte, comercializados em mercados secundários de dados. Criam-se, assim, duas cadeias econômicas paralelas: uma visível, baseada em publicidade e engajamento; outra menos perceptível, baseada na extração e valorização de dados gerados pela própria circulação do ódio.

A isso se soma a assimetria produzida pelo zero-rating. Em diversos países, incluindo o Brasil, operadoras isentam determinadas aplicações do consumo da franquia de dados móveis. Como parcela significativa da desinformação circula por essas aplicações — especialmente serviços de mensagens instantâneas e redes sociais —, cria-se uma distorção econômica: para muitos usuários, acessar conteúdos compartilhados nesses ambientes tem custo marginal praticamente nulo, enquanto consultar fontes jornalísticas externas ou serviços de verificação pode consumir franquia. Embora o zero-rating não tenha sido concebido para favorecer a desinformação, essa diferença de custos reduz barreiras econômicas justamente nos canais em que ela mais frequentemente circula.

É importante, por fim, não atribuir às plataformas intenção que seus modelos não pressupõem — mas tampouco tratá-las como infraestrutura passiva. As grandes plataformas não foram concebidas para promover racismo ou misoginia. Seus modelos econômicos foram estruturados para monetizar atenção e engajamento. Porém, ao definirem unilateralmente quais formatos são monetizáveis, quais contas recebem amplificação e quais conteúdos são suprimidos, exercem poder de mercado considerável sobre toda a cadeia. Sempre que conteúdos baseados no ódio produzem elevado fluxo de interações, parte do valor econômico gerado é capturada pelas plataformas — diretamente, via publicidade, e indiretamente, via dados. Trata-se de um efeito estrutural, mas sustentado por escolhas de produto que poderiam ser outras.

Sob essa perspectiva, os mercados do ódio não constituem uma anomalia externa ao ecossistema digital, mas um de seus segmentos econômicos mais eficientes. Eles articulam escassez de atenção, demanda psicológica por confirmação de crenças, custo de produção próximo de zero, monetização automatizada e extração contínua de dados — convergência que transforma preconceito, violência simbólica e sofrimento humano em circulação de informação, influência política e geração de valor econômico.

 

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Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho de 2025, reafirmamos que a resposta à crise climática exige mais do que políticas públicas e metas internacionais: ela exige inovação social enraizada na cultura, nos territórios e nas comunidades.

Com orgulho, o LabLivre, em parceria com a Rede Ajuricaba de Pontos de Cultura, FBOMS (Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento) e REDE GTA (Grupo de Trabalho Amazônico), apresenta ao Brasil e ao mundo a plataforma MobilizaCOP30 — uma solução em software livre construída de forma colaborativa para mapear, divulgar e articular ações sociais e ambientais rumo à COP30, que será realizada em novembro, em Belém do Pará.

Mais do que uma plataforma digital, o MobilizaCOP30 é um instrumento de soberania digital e ação coletiva, permitindo que comunidades, movimentos e organizações da Amazônia e de todo o Brasil se façam visíveis, conectados e estrategicamente posicionados neste momento histórico. É uma ferramenta que valoriza a cultura viva, protege os territórios e fortalece as vozes que resistem e reexistem frente à emergência climática.

Ao ser mencionada nas ações do Ministério da Cultura para o G20 e reconhecida como parte das estratégias culturais para a COP30, nossa iniciativa se torna um marco: a cultura não está à margem da crise climática — ela é central para as soluções.

Convidamos todas e todos a conhecer, utilizar e compartilhar o MobilizaCOP30. A luta contra a crise climática também é uma luta por visibilidade, conexão e futuro. E o futuro, como acreditamos no LabLivre, é coletivo, livre e amazônico.

🔗 Acesse mobilizacop30.redeajuricaba.org

 

REFERENCIAS:

https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/no-dia-mundial-do-meio-ambiente-minc-reforca-compromisso-em-articular-acoes-culturais-e-climaticas

https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202506/dia-mundial-meio-ambiente-minc-compromisso-acoes-culturais-climaticas 

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O uso das Inteligências Artificiais, seja de forma lúdica ou profissional, tem implicações profundas. Vamos refletir sobre seu uso como expressão artística, mas sem esquecer os impactos sociais, ambientais e econômicos que envolvem essa tecnologia.

1. QUANTO À ARTE
Sim, a IA pode ser uma ferramenta legítima para a produção artística, tal como são o Corel Draw, Photoshop, Krita, Blender e tantos outros softwares de arte digital. O problema não está no uso da ferramenta, mas na estrutura de exploração que se forma ao seu redor. A IA, quando utilizada por artistas conscientes e críticos, pode ser uma aliada da criação, da experimentação e até da democratização da arte. Mas, quando apropriada por grandes corporações, transforma-se em uma máquina de extração de valor baseada no roubo de trabalho e saber coletivo.

2. QUANTO AOS RECURSOS NATURAIS
Algumas IAs, especialmente os grandes modelos de linguagem e imagem (como o GPT ou o DALL·E), consomem quantidades absurdas de energia e recursos computacionais, gerando uma pegada ecológica preocupante. No entanto, esse consumo está diretamente ligado ao modelo de negócios predatório das big techs, que priorizam escala e lucro a qualquer custo, sem investir de verdade na eficiência e sustentabilidade. Um bom contraponto é o caso do DEEPSEEK, uma IA baseada em código aberto (software livre), que consome apenas uma fração dos recursos que grandes modelos proprietários consomem. Isso mostra que é possível sim desenvolver tecnologias mais leves, éticas e sustentáveis — desde que o objetivo não seja apenas lucro, mas benefício coletivo.

3. QUANTO AO CONTEÚDO
A questão do conteúdo usado para treinar essas IAs é uma verdadeira zona cinzenta. A falta de regulamentação (sim, REGULAÇÃO!) permite que empresas usem, indiscriminadamente, obras protegidas por direitos autorais, inclusive de artistas independentes, sem qualquer remuneração ou sequer reconhecimento. Enquanto há vastos acervos sob licenças livres (como a GPL, Creative Commons e outras) que podem e devem ser utilizados de forma transparente, as grandes plataformas se recusam a mostrar o algoritmo inacessível de seus datasets.

Pior: plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp (todos da Meta) já usam, por padrão, todo o conteúdo que você posta para treinar suas IAs. Há uma opção para recusar isso, mas ela exige um processo burocrático opaco, e você nunca saberá de fato se sua escolha foi respeitada.

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