Wakanda é um país ditatorial onde o poder é passado de pai para filho através de uma cerimônia de cartas marcadas onde quem participa são as demais casa reais de outras tribos, tudo já previamente arrajando. Ao mesmo tempo é um país isolacionista que abdicou de combater as misérias sociais e políticas do continente em que esta inserido (como a escravidão, apartheid), e muito menos ainda perante o sofrimento das populações afrodescendentes pelo mundo a fora.
As coisas mudam de forma mas não de conteúdo, como resposta ao mundo cada vez mais global Wankanda resolve intervir mas apenas no campo da assistência social, novamente abidicando de qualquer tipo de transformação social, fácil de entender pois afinal é país ditatorial, monárquico e claramente xenofobo. Onde quem propoe a revolução social global dos negros e pobres não é um comunista e sim o “vilão” do filme, Killmonger, que na sua cena final diz: “Jogue o meu corpo no oceano. Como todos os meus ancestrais que pularam dos barcos porque sabiam que a morte era melhor do que o cativeiro.” escravidão essa que o desfile do Paraíso do Tuiti mostrou ainda estar presente quando perguntou no seu Samba Enredo: “Meu deus, meu deus ainda existe escravidão?”. Parece que o Pantera Negra apesar da pose e da marra é mais um reformador social que enxerga o mundo pelas lentes da elite, um elite negra é verdade mas uma elite. Diga-se ainda de passagem que o grande responsável por essa mudança efetiva de posição isolacionista de Wakanda foi Killmonger, cuja militância botou em xeque o governo do Pantera, conseguindo apoio de pelo menos uma das tribos.
Pantera Negra é a realização dos sonhos molhados dos obamas da vida, de mostrar que os negros (hispanicos, gays, etc) podem ser incluídos como parte da elite de exploração da massa da população de negros (hispanicos, gays, brancos, etc) pobres, e assim aumentar a base social de apoio do sistema.